Ascenção do Senhor

Depois que o Senhor Jesus apareceu a seus discípulos, foi elevado ao céu.

Este acontecimento marca a transição entre a glória de Cristo ressuscitado e a de Cristo exaltado à direita do Pai. Ele marca também a possibilidade de que a humanidade entre no Reino de Deus como disse Jesus. Desta forma, a ascensão do Senhor se integra ao Mistério da Encarnação, que é seu momento conclusivo.

Esta solenidade foi transferida para o 7º domingo após a Páscoa desde seu dia originário, a quinta-feira da 6º semana de Páscoa, quando se cumprem os quarenta dias depois da ressurreição, conforme o relato de São Lucas em seu Evangelho e nos Atos dos Apóstolos; mas continua conservando o simbolismo da quarentena: como o Povo de Deus esteve quarenta dias em seu Êxodo do deserto até chegar à terra prometida, assim Jesus cumpre seu Êxodo Pascal em quarenta dias de aparições e ensinamentos até subir junto ao Pai.

“Enquanto os abençoava, separou-se deles e foi arrebatado ao céu. Depois de o terem adorado, voltaram para Jerusalém com grande júbilo. ” (Lc 24, 51-52)

No relato deste mistério segundo o Evangelho de São Mateus (28,19-20), o Senhor envia os discípulos a proclamar e realizar a salvação, segundo o triplo mistério da Igreja: pastoral, litúrgico e ministerial:

– Ide e fazei discípulos de todos os povos (pelo anúncio profético, o governo pastoral, formando e desenvolvendo a vida da Igreja)

– Batizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo (aplicando-lhes a salvação, introduzindo sacramentalmente na Igreja);

– E ensinando-os a guardar tudo o que vos mandei (mediante o magistério apostólico e a vida na caridade, o grande mandamento).

O Plano de Deus está sendo cumprido e a salvação anunciada, primeiro a Israel, é proclamada a todos os povos. Nesta obra de conversão universal, por mais longa e árdua que possa ser, o Ressuscitado estará vivo e presente em meio aos seus: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos. ” (Mt 28,20)

O mistério

A leitura apostólica que a Igreja propõe interpreta perfeitamente o acontecimento da Ascensão do Senhor, adentrando-nos no mistério do ressuscitado no santuário celeste (o céu). Podemos dizer então, com o canto do “Santo” que os céus e a terra estão cheios da glória de Deus (Em Isaías 6:3 só se nomeava a terra). Agora, com a ascensão da humanidade do Filho de Deus, comemorada no mistério litúrgico, sobre a qual repousa a glória do Pai, adorada pelos anjos, também nós somos unidos pela graça a este eterno louvor, no céu e na terra. Estamos no penúltimo momento do mistério pascal, antes da doação do Espírito Santo ao se completarem os cinquenta dias, o Pentecostes.

A vida cristã

As orações desta solenidade pedem que permaneçamos fiéis à dupla condição da vida cristã, orientada simultaneamente às realidades temporais e às eternas. Esta é a vida na Igreja, comprometida na ação e constante na contemplação.

Porque Cristo, levantado ao alto sobre a terra, atraiu para si, todos os homens; ressuscitando dentre os mortos enviou seu Espírito vivificador sobre seus discípulos e por ele constituiu seu Corpo que é a Igreja, como sacramento universal de salvação; estando sentado à direito do Pai, sem cessar atua no mundo para conduzir os homens à sua Igreja e por Ela uni-los assim mais estreitamente e, alimentando-os com seu próprio Corpo e Sangue, torná-los partícipes de sua vida gloriosa.

Instruídos pela fé sobre o sentido de nossa vida temporal, ao mesmo tempo, com a esperança dos bens futuros, realizamos a obra que o Padre nos confiou no mundo e lavramos nossa salvação (Vaticano II, Lumen gentium 48).

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