Fraternidade e diálogo: compromisso de amor

A Campanha da Fraternidade é um dos modos de viver o período quaresmal na Igreja no Brasil. Desde a sua origem em 1964, ela tem como grande objetivo despertar a solidariedade dos seus fiéis e da sociedade em relação a um problema concreto que envolve a sociedade brasileira, buscando caminhos de solução, à luz da Palavra de Deus.

O grande tema da Campanha da Fraternidade deste ano é o diálogo. Dialogar como compromisso de amor. Inseridos num cenário marcado por polarizações, ódios, ausência de escuta e indiferença, somos convidados a recuperar nossa capacidade de relação, tolerância, amorosidade e fraternidade.

A Campanha da Fraternidade surge como ocasião preciosa para redescobrir a força e a beleza do diálogo como caminho de relações mais amorosas, promovendo a convivência fraterna e a alegria do encontro.

Dialogar supõe a redescoberta do valor e da beleza do outro. Requer escuta, paciência, decisão e disposição. É um processo com ritmo próprio que visa a compreensão do outro. Por essa razão, no diálogo, não há vencedores e vencidos. Não há uma palavra que prevalece, mas palavras que desencadeiam processos de conhecimento. Isso não significa acolher como dogma a verdade do outro, mas sim, respeitá-lo e com ele compartilhar o que compreendemos da vida, do mundo e de toda teia de relações que nos envolvem.

O lema da Campanha é muito sugestivo: “Cristo é a nossa paz; do que era dividido, fez-se uma unidade.” (Ef 2,14ª). A divisão a qual Paulo faz referência diz respeito um muro existente em Jerusalém que impossibilitavam os gentios a terem acesso ao Templo. Para Paulo, em Jesus Cristo, já não há nada mais que seja capaz de nos separar do seu amor. Se nada nos separa deste amor, nada também poderá nos separar uns dos outros. Cristo cria a unidade rompendo o muro da divisão, estabelecendo unidades, promovendo a comunhão e possibilitando a paz.

A Campanha da Fraternidade Ecumênica nos convida a destruição dos muros que nos separam. Não somente eliminar os muros, mas também abrir mão dos entulhos que podem ser instrumentos de violência quando trocamos acusações e ofensas. E além de destruir os muros, precisamos construir pontes, formar elos de comunhão, promovendo a fraternidade.

Fraternidade e diálogo, compromisso de amor. Que possamos abrir os corações a essa temática inaugurando processos de diálogo. Que a quaresma de 2021 nos coloque no caminho da partilha, da solidariedade, assumindo o diálogo como estilo de vida de quem ama, tal como Cristo nos ama.

(artigo resumido do texto base escrito pelo Pe. Patriky Samuel Batista, secretário executivo de Campanhas da CNBB).