LITURGIA COMENTADA – 20 DE JUNHO DE 2016 – Segunda-Feira

SEGUNDA FEIRA – XII SEMANA DO TEMPO COMUM
(Verde – ofício do dia)

Antífona da entrada

– O Senhor é a força do seu povo, fortaleza e salvação do seu ungido. Salvai, Senhor, vosso povo, abençoai vossa herança e governai para sempre os vossos servos. (Sl 27.8)

Oração do dia

– Senhor, nosso Deus, dai-nos por toda a vida a graça de vos amar e temer, pois nunca cessais de conduzir os que firmais no vosso amor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

1ª Leitura: 2Rs 17,5-8.13-15.18

– Leitura do Segundo Livro dos Reis: Naqueles dias, 5Salmanasar, rei da Assíria, invadiu todo o país. E, chegando a Samaria, sitiou-a durante três anos.

6No nono ano de Oséias, o rei da Assíria tomou Samaria e deportou os habitantes de Israel para a Assíria, estabelecendo-os em Hala e nas margens do Habor, rio de Gozã, e nas cidades da Média. 7Isto aconteceu porque os filhos de Israel pecaram contra o Senhor, seu Deus, que os tinha tirado do Egito, libertando-os da opressão do Faraó, rei do Egito, porque tinham adorado outros deuses. 8Eles seguiram os costumes dos povos que o Senhor havia expulsado de diante deles, e as leis introduzidas pelos reis de Israel. 13O Senhor tinha advertido seriamente Israel e Judá por meio de todos os profetas e videntes, dizendo: “Voltai dos vossos maus caminhos e observai meus mandamentos e preceitos, conforme todas as leis que prescrevi a vossos pais e que vos comuniquei por intermédio de meus servos, os profetas”. 14Eles, porém, não prestaram ouvidos, mostrando-se tão obstinados quanto seus pais, que não tinham acreditado no Senhor, seu Deus. 15aDesprezaram as suas leis e a aliança que tinham feito com seus pais, e os testemunhos com que os havia garantido. 18O Senhor indignou-se profundamente contra os filhos de Israel e rejeitou-os para longe da sua face, restando apenas a tribo de Judá.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

Salmo Responsorial: Sl 60,3.4-5.11-12a.12b-13 (R: 7b)

– Vossa mão nos ajude, ouvi-nos Senhor!
R: Vossa mão nos ajude, ouvi-nos Senhor!

– Rejeitastes, ó Deus, vosso povo e arrasastes as nossas fileiras; vós estáveis irado: voltai-vos!
R: Vossa mão nos ajude, ouvi-nos Senhor!

– Abalastes, partistes a terra, reparai suas brechas, pois treme. Duramente provastes o povo, e um vinho atordoante nos destes.
R: Vossa mão nos ajude, ouvi-nos Senhor!

– Quem me leva à cidade segura, e a Edom quem me vai conduzir, se vós, Deus, rejeitais vosso povo e não mais conduzis nossas tropas?
R: Vossa mão nos ajude, ouvi-nos Senhor!

– Dai-nos, Deus, vosso auxílio na angústia; nada vale o socorro dos homens! Mas com Deus nós faremos proezas, e ele vai esmagar o opressor.
R: Vossa mão nos ajude, ouvi-nos Senhor!

Aclamação ao santo Evangelho

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

– A palavra do Senhor é viva e eficaz; ela julga os pensamentos e as intenções do coração (Hb 4,12).

Aleluia, aleluia, aleluia.

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 7,1-5

– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus
– Glória a vós, Senhor!

– Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1Não jul­gueis, e não sereis julgados. 2Pois, vós sereis julgados com o mesmo julgamento com que julgardes; e sereis medidos, com a mesma medida com que me­dirdes. 3Por que observas o cisco no olho do teu irmão, e não prestas atenção à trave que está no teu próprio olho? 4Ou, como podes dizer a teu irmão: ‘Deixa-me tirar o cisco do teu olho’, quando tu mesmo tens uma trave no teu? 5Hipócrita, tira primeiro a trave do teu próprio olho, e então enxergarás bem para tirar o cisco do olho do teu irmão”.

– Palavra da salvação.
– Glória a vós, Senhor!

Liturgia comentada
Não julgueis! (Mt 7, 1-5)


Somos uma sociedade contabilizada. A vida das pessoas é gravada em um livro com três colunas: DEVE / HAVER / SALDO. E se alguém deve, tem de pagar! Todo mundo estranha quando se fala em perdão, rasgar faturas, zerar a conta. Como quando os filhos de Aldo Moro foram à TV para dizer que perdoavam, de todo o coração, aos membros das Brigadas Vermelhas que haviam sequestrado e executado seu pai. Ou quando João Paulo II foi à cadeia para dar o perdão ao terrorista que tentara matá-lo.

Quando um crime com traços de barbárie vem a público, muitas vozes se erguem para clamar por pena de morte, quando o criminoso não é linchado pela população antes da chegada da polícia. Tomamos a justiça nas próprias mãos. Sentimo-nos capazes de avaliar os impulsos que levaram o criminoso ao crime. Talvez devamos confessar: alimentamos ódio pelo criminoso…

Aí, vem o Senhor Jesus – exatamente aquele que será nosso Juiz, no grande dia do Juízo Final, – para ordenar: “Não julgueis”… E acrescenta: “Para não serdes julgados”… Alerta-nos para nossa condição de réus: todos nós devemos passar por um “juízo particular” ao final de nossa vida (cf. Hb 9, 27). Na Segunda Vinda, o Cristo Senhor “há de vir a julgar os vivos e os mortos”, professamos no Símbolo dos Apóstolos. Logo, não estamos em condição de bancar o promotor nem o magistrado que condena conforme a lei.

E se ainda fosse pouco, Jesus acrescenta: “Com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos”. O rigoroso encontrará rigor. O impiedoso terá impiedade. O misericordioso achará misericórdia. E Deus ama os criminosos como os pais continuam amando os filhos pródigos. Sabendo disso, S. Teresinha do Menino Jesus, ainda adolescente, ao ter notícia de um criminoso que seria levado à guilhotina, resolveu adotá-lo como “seu filho”. E pediu a Deus um sinal de sua conversão. Na hora do cadafalso, registram os jornais da época, Henri Pranzini tomou o crucifixo das mãos do sacerdote e beijou-lhe as chagas. Já no Séc. XX, também Marthe Robin ofereceu suas dores e preces por Jacques Fesch, um homicida. Na prisão, o criminoso voltou-se para Deus e morreu com fama de santidade. Seu diário justifica tal fama.

Com certeza, haverá surpresas no outro mundo. Certas ausências no céu (e certas presenças no inferno) confirmarão a frase de Jesus: “Não julgueis!”

Sei perdoar? Compreender as falhas alheias? Ou prefiro julgar e condenar?

Orai sem cessar: “Este miserável clamou e o Senhor o ouviu!” (Sl 34, 7)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.
santini@novaalianca.com.br

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